quarta-feira, 22 de setembro de 2021

SIGNIFICADO DAS CAPAS DOS ÁLBUNS - ACHTUNG BABY

SIGNIFICADO DAS CAPAS DOS ÁLBUNS

A ideia do ditado popular que diz que “não se julga um livro pela capa” pode valer para discos também. No entanto, seja em qualquer tipo de produto, é difícil ignorar o apelo de um bom design, ilustração ou fotografia que indique ao consumidor o que pode vir naquela obra e, assim, o instigue a consumi-la. 

Há capas tão criativas e originais que há nove anos foi criado o prêmio Art Vinyl para valorizar o trabalho artístico das capas de disco de vinil. O organizador e criador do prêmio é o inglês Andrew Heeps. Segundo ele, “o prêmio Art Vinyl trata de comemorar a ressonância emocional dos melhores desenhos de capa e homenagear alguns dos heróis desconhecidos da arte e do design, que oferecem identidade visual para tantas bandas e artistas".

As capas de disco contribuem para a construção de um sentido musical, enriquecendo o processo estético. Os anos 60’ foram essenciais para firmar a capa como elemento primordial para o disco. Foi quando artistas plásticos e fotógrafos penetraram no mercado das gravadoras, vendendo seus talentos e experimentando concepções visuais inovadoras.

Houve uma tomada de consciência da importância dos discos e das capas como icônicas. Contudo, geralmente eles são inseridos na história da música menos por sua visualidade que por sua sonoridade, ainda que haja reconhecimento estético. Uma vez que se entende o álbum como a junção disco e invólucro, contendo texto e imagem, fica evidente que, a partir dos anos 1950, abriram-se caminhos para pensá-lo como uma possibilidade de forma artística total da contemporaneidade.

A capa de disco é tão importante quanto o próprio disco – ou, melhor dizendo, não é possível, em muitos casos, separar um do outro. A capa é um campo que não só reflete a visualidade de cada época, como também provoca, por meio de seus projetos gráficos, leituras culturais de um dado momento na carreira do artista.

Por isso, é importante voltar às capas do passado, para tentar entender o seu lugar em nossa cultura visual e musical.

- Achtung Baby (1991)

Steve Averill considera Achtung Baby sua capa favorita em parceria com a banda - foi filmada em vários países diferentes e usou imagens coloridas, para contrastar com as fotos em preto e branco das capas anteriores.

Ele diz que nessa época a banda estava preocupada com sua imagem pública:

“As pessoas achavam que a banda era tola e séria, e queríamos mudar isso. Sempre quisemos que a capa refletisse a música interna. A forma como trabalhamos depende do álbum. Às vezes, a banda é muito clara sobre o que quer fazer, caso contrário, ouvimos a música e trabalhamos nos conceitos. É sempre bom trabalhar com eles. Sempre há muito humor, muita intensidade”.

A capa de Achtung Baby foi feita por Steve Averill e Shaughn McGrath, que tinham criado a maioria das capas do U2. Para mostrar a mudança de estilo musical, a banda queria algo com várias imagens e diferentes cores para contrastar com o ambiente e principalmente o uso de imagens monocromáticas dos álbuns anteriores. Esboços e desenhos foram montados desde o início das sessões e alguns projetos experimentais foram concebidos para se assemelharem, como Averill explica:

"A música dance orienta a capa. Acabamos de fazê-la, com o objetivo de explorar seu extremo. Poderíamos ter nos contentado com o que tínhamos, mas se não tivéssemos feito o que fizemos, não teríamos chegado à capa que é agora".

Esboço de Capa - 01
Esboço de Capa - 02
Esboço de Capa - 03
Esboço de Capa - 04
Esboço de Capa - 05
Esboço de Capa - 06
Esboço de Capa - 07
Esboço de Capa - 08
Esboço de Capa - 09
Esboço de Capa - 10
Esboço de Capa - 11
Esboço de Capa - 12

Foram realizados vários ensaios fotográficos com Anton Corbij em Berlim, no final de 1990. A maioria das fotos foi em preto e branco e o grupo sentia que não era um indicativo de novidade. Eles encarregaram Corbijn para uma sessão de fotos por um período de duas semanas em Tenerife, em fevereiro de 1991, para se misturarem com a multidão no Carnaval de Santa Cruz, apresentando um lado mais descontraído de si mesmos. Foi, durante este período e durante sua passagem no Marrocos, que o grupo realizou as fotografias, com adições realizadas em Dublin. As fotos foram destinadas a confundir as expectativas do grupo, contrastando com a monocromia dos outros discos.









A princípio, cogitaram incluir três imagens como capa: uma vaca em uma fazenda em County Kildare, na Irlanda; a imagem do baixista, Adam Clayton, despido; e a banda dentro de um trabant. Entretanto, um sistema de múltiplas imagens foi empregado, chegando à conclusão que não poderiam concordar com nenhuma das opções. 



As expressões dos integrantes estavam em sua melhor versão de 'alter-ego', tendo várias perspectivas, de acordo com o ângulo da imagem. Com isso, o resultado acabou sendo uma montagem de várias fotos. Uma espécie de quebra-cabeça, realizado por Corbijn, já que a banda queria manter um toque europeu mais reservado, principalmente nas imagens monocromáticas em Berlim com aspectos exóticos e sombrios, e com cores mais vibrantes como em Santa Cruz e Marrocos. 

Capa Final - Edição EUA 1991
Verso da Capa 
Frente e Verso - Encarte (Invólucro para o vinil)

Algumas foram incluídas por questões pessoais, enquanto outras por transmitir ambiguidade. Fotos coloridas no interior do trabant também foram incluídas na capa e encarte. Mais tarde, esse modelo de carro foi incorporado ao cenário da turnê, como parte do sistema de iluminação. A nudez do baixista foi inserida na contracapa do álbum. 

O termo em alemão, achtung, é traduzido em português como "atenção" ou "cuidado". O engenheiro de áudio Joe O'Herlihy, usou as palavras "achtung, baby" durante as gravações, sendo supostamente tiradas de uma frase do filme The Producers (1968). O título foi escolhido em agosto de 1991, no final das sessões. De acordo com Bono, foi um título ideal, cujo objetivo era chamar a atenção e referenciar a Alemanha, dando a entender qualquer tipo de romance ou renascimento — sendo que ambas foram temas do álbum. 

Na época o U2 considerou vários títulos: Man, 69, Zoo Station ou até mesmo Adam. Outros possíveis nomes seriam Fear of Women e Cruise Down Main Street, fazendo referência a Exile on Main St. (1972), dos Rolling Stones, e aos mísseis lançados em Bagdá durante a Guerra do Golfo. A maioria dos títulos propostos foram rejeitados, com a crença de que o público interpretaria de forma pretensiosa e soaria como "mais uma declaração presunçosa da banda". 

Fotografia: de Anton Corbijn. 

Designer: Steve Averill e Shaughn McGrath - Works Associates (Dublin). 

Ilustração: Charlie Whisker, fotografado por Richie Smith.

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